Posições que facilitam o parto normal

 

O parto natural é a melhor opção para a saúde da mãe e do bebê. Mas, para garantir que a experiência tenha um resultado positivo, o ideal é que o parto seja também humanizado. No qual uma coisa é regra: os desejos e preocupações da mulher devem ser ouvidos. Principalmente sobre a posição em que o bebê chegará ao mundo. A enfermeira Anatália Basile, doutora em Ciências da Saúde e coordenadora do Programa Parto Seguro, explica que: “infelizmente, a posição de rotina, que é aquela deitada de barriga para cima não é a mais recomendada”.

Comumente, as mulheres não têm acesso a informações como essa. Pensando nisso, separamos uma lista de posições com as diferenças entre as posturas mais comuns e as que ainda não são muito usadas, mas que facilitam o nascimento do bebê. Veja!

 

  1. Litotômica

A posição mais comum do parto normal é da mulher deitada de barriga para cima e as pernas levantadas. Além de não facilitar a saída do bebê, se a mãe fica assim por muito tempo, o útero pesa sobre os vasos que irrigam a placenta. O que tende a diminuir o aporte de sangue e oxigênio ao bebê e dificultar a escuta dos batimentos cardíacos fetais.

Como essa situação é perigosa, o médico ou profissional de saúde se vê impulsionado a lançar mão de processos que aceleram o parto e hoje são desencorajados, como o uso de ocitocina. Outra intervenção que ocorre muito neste cenário é a episiotomia, corte feito no períneo para ajudar na expulsão do bebê que até tem indicações em determinados casos, mas que não deve ser usado rotineiramente por aumentar o risco de complicações.

 

  1. Lateral

A mãe deita-se de lado, com as pernas flexionadas e uma delas levantada. Quando a contração ocorre, a perna abaixa. Nessa posição, aliás, as contrações são mais intensas e menos frequentes, o que torna a experiência mais confortável e o parto mais rápido. Como a gestante já costuma dormir assim, fica mais fácil assumir a postura na hora de dar à luz a criança, que por sua vez recebe oxigênio sem problemas até seus instantes finais no útero. É indicado a todas as gestantes que estão habilitadas para o parto normal.

Aliás, essa regra vale para todas as posições que apresentaremos aqui. “Não há contraindicações para estas posições. Pelo contrário, elas devem ser incentivadas e ajustadas conforme a necessidade e o conforto de cada mãe”, explica Cristiano Salazar, ginecologista e obstetra do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, que realiza o programa Parto Adequado, em moldes similares ao Parto Seguro.

 

  1. Vertical

Não se assuste! Graças à providencial contribuição da gravidade, a posição ajuda a promover a expulsão do bebê. “Entre as vantagens da posição vertical está o aumento dos diâmetros pélvicos maternos, quando comparado à posição litotômica, ou seja, aumenta a via de passagem do pequeno”, diz Anatália Basile. A mulher pode ficar apoiada numa parede para facilitar o processo, que exige também alguma força nas pernas. Não há contraindicações, mas nessa posição a gestante pode perder um pouco mais de sangue – o que não chega a ser um problema nem exige transfusão. Nos partos humanizados, a mãe é incentivada a caminhar à vontade, então pode acabar por assumir naturalmente a posição.

 

  1. Sentada

A mulher se posiciona em uma banqueta especial, com um buraco no meio por onde o bebê passa – mas há muitos formatos diferentes. Geralmente, o acompanhante fica atrás para dar apoio, mas é possível também se sentar sozinha nesse equipamento. As costas podem ficar curvadas para frente ou para trás: não há regras. Como a gestante está sentada com os pés no chão, os músculos do assoalho pélvico ficam mais relaxados, o que também facilita a saída do bebê. Sem contar que ela não força as articulações de joelho, tornozelo e demais membros inferiores.

 

  1. Semissentada

Assim como nas posições verticais, ela facilita a descida do bebê, com a principal vantagem de oferecer conforto às mães. A inclinação também diminui a pressão do útero sobre alguns vasos sanguíneos e garante a circulação adequada de oxigênio e sangue. Para que seja realizada, é preciso que haja uma cama mais larga e reclinável, específica para as salas de parto humanizado, com apoios para que a mulher possa levantar os pés.

 

  1. Quatro apoios

Ainda não muito praticada no Brasil, essa posição exige um pouco dos joelhos, mas também alivia parte da dor lombar que as gestantes comumente sentem durante o trabalho de parto. Se desejar, a mulher também pode apoiar os cotovelos e, assim, transformar a posição em seis apoios. Por ampliar a abertura da pelve, essa posição facilita a passagem de bebês mais lentos e, assim como as outras, diminui a necessidade de episiotomia.

 

  1. De cócoras

Ganhou fama com o aumento do interesse pelo parto humanizado e, por conta da posição em que a mãe fica, aumenta o espaço para a passagem do bebê, além de também contar com o auxílio da gravidade. A gestante fica agachada com os joelhos flexionados e os pés no chão e pode manter as mãos apoiadas em uma cadeira ou outro móvel. A mãe pode, ainda, ficar de frente para seu acompanhante, que abaixa junto com ela.

 

Qual é a melhor posição?

A ideia não é eleger a melhor opção, mas sim orientar e estimular que mulheres aptas a parir naturalmente recebam o estímulo de testar mais posições e achar a mais confortável para o momento durante o trabalho de parto.  

Há, ainda, outras variações dessas posições que podem ser assumidas neste momento tão especial. Nos centros que oferecem o parto humanizado, tudo ocorre na sala chamada de PPP (pré-parto, parto e pós-parto), que é equipada com uma cama maior, banquetas e apoios.

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