Conheça o ponto do marido, prática considerada violência obstétrica

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Apesar de toda mulher ter o direito de parir com respeito e dignidade, uma em cada cinco brasileiras sofre violência no parto, que é também uma violação de Direitos Humanos.

O ponto do marido é um ponto que se faz ao término da sutura de uma episiotomia, onde se ‘aperta’ a entrada da vagina, com o intuito de torná-la mais estreita, teoricamente aumentando a satisfação sexual do marido.

É comum que os médicos realizem a episiotomia, popularmente conhecida como “pique”, sem o consentimento da gestante. Muitos profissionais também não avisam que vão dar esse ponto extra já que, para eles, isso faz parte do procedimento normal da sutura da região. O ponto, no entanto, pode trazer consequências que mudam para sempre a vida da mulher, como a perda da elasticidade normal da vagina em decorrência da fibrose que se forma, assim como pelo estreitamento excessivo da entrada da vagina. Enquanto algumas mulheres relatam ter perdido para sempre o prazer sexual, outras se posicionam favoravelmente à prática.

No Brasil, a episiotomia e seu “ponto do marido”, assim como a cesárea e sua “prevenção do parto”, funcionam, no imaginário de profissionais, parturientes e seus parceiros, como promotores de uma vagina “corrigida”. Se as mulheres acham que vão ficar com problemas sexuais e vagina flácida após um parto vaginal e que a episiotomia é a solução, elas tendem a querer uma episiotomia. Mas, quando as mulheres têm acesso à informação e sabem que é possível ter uma vagina forte por meio de exercícios, elas passam a compreender que a episiotomia de rotina é uma lesão genital que deve ser prevenida e que elas podem recusá-la.

Desde meados da década de 80, há evidência científica sólida indicando a abolição da episiotomia de rotina. Em grande medida, estão disponíveis no país os elementos técnicos, como manuais e normas, para implementar mudanças na assistência ao parto. O que falta é avançar na promoção de mudanças institucionais, para fazer justiça a esses avanços. Essas mudanças exigem a mobilização das mulheres, profunda mudança na formação dos profissionais de saúde, além de coragem e firmeza dos responsáveis pelas políticas públicas.

A garantia de assistência humanizada ao parto – orientada pelos direitos e baseada na evidência – constitui uma importante estratégia na busca da promoção dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres em um momento tão especial de suas vidas.

Fonte: Revista Crescer e DINIZ, Simone. Campanha pela Abolição da Episiotomia de Rotina.

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